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segunda-feira, 3 de outubro de 2016

Me segurei, mas não deu

Me perdi.
E perdi a vontade.
Na escolha errada, que foi certa por tanto tempo, me vendi.
E vendi o último pedaço de alma.
Quando a aventura chegar ao fim estarei só.
Somente mais um passo ao lado.
Nunca adiante.
Me adiantei com pressa e cede.
E me afoguei no desespero de saciá-la.
A estrada mudou de rumo.
Deu voltas a me iludir.
Rumou de volta para onde saí.
Um deserto em desconstrução.
Me segurei.
E segurei com vontade.
Na escolha certa, que foi tão errada, me despedi.
E me despi do último traço de calma.
Quando, enfim, eu tiver chegado, estarei só.
Somente mais desgastado.
Nunca realizado.
Como parte, fui inteiro.
Como arte, fui embora.

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Sim

Sem você jamais poderia
Imaginari o céu
Levei para mim
Vestígios de ti
Ideias de um sonhador
Amanhã já vai raiar
Mas não quero
Outro dia sem ti
Raro são os sonhos
Ávidos, risonhos
Eu espero ter teu
Sim
(João Pedro C. Pinheiro - Outubro/2014)

E para evitar um pouco a banalidade dos poemas acrósticos, resolvi musicá-lo.
Desculpem a qualidade da gravação, o pequeno erro no final da letra e qualquer desafinada :)

sábado, 27 de setembro de 2014

Desconstrução

Preciso segurar as palavras que querem sair atropelando umas às outras
O que fora silêncio débil vê-se caótico e desordenado, explosivo
Por entre os dedos esvaem-se as rédeas maltratadas pelo abuso
O que fora sanidade torpe vê-se em desgoverno e descarrilho, desmorona
Desespero e anseio a loucura de saltar das amarras soltas, voar, cair
O que fora domínio cético vê-se calando a mente, pulsando o sangue
A certeza incrédula, vaiada; e a ovação ao incauto, ao reprimido
O que fora segurança bruta vê-se desmontado, guarda nula
Nem a forma segue em ordem sem o toque do incerto
Chega em pé que troca o passo,
Prende a postos
O que fora verso
O que foi avesso
O que lá fora é vasto
In, des, a, ando, ado, auto, ido
Certo de que a porta aberta tem a forca
E a força tem de abrir a porta certa
Imenso, imerso
Incoerente, in corrente
O que fora sentido à solução mundana ao abismo do intangível,
Vê-se roto.

Eu me lembro.
(PINHEIRO, João P. C., 27/09/2014)

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Doce ilusão

Doce ilusão que me cobre em desejos
Pedaço de céu que farto em gracejos
Quase intocável, quase inocente,
Me invade, inquieta, pelos meus bordejos
  
Cedo no tempo que corre apressado,
Tarde no espaço, profundo, embaçado,
Incerteza contida, incerteza latente,
Na ponta do lápis, detalhe traçado.
 
Sonho acordado o leve balanço
Inconsequente me largo, me lanço,
Preso na espera, preso na gente,
Quente em seus braços... amanso.
(PINHEIRO, João Pedro C., 16/07/2014 - São Paulo)

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Não sou nem um, nem outro.
Não sou de perguntas, nem sou a resposta.
Sou ardência de fogo em brasa, sou leveza de folha ao vento.
Não sou certo, nem estou errado.
Sou hoje, sou agora e não sou mais.
Marco como a cicatriz que se esconde sob a tatuagem, mas não desboto.

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

MORTE

Um manto negro e um sorriso zombeteiro
Ela vem tão certa como a noite e deixa vazia a imensidão
Não há ordem, não há plano, não há nada
Segue torpe espalhando o caos aos inconsoláveis
Involuntariamente e incessantemente e impunemente
Faz-nos fracos e tementes, como crianças no escuro
Breves fugitivos de uma condição inerente
Surpreendentemente afasta-nos da fuga e aproxima-nos de si
Valor velado, mas pesado em ouro para tamanha insignificância
Pois a olhe nos olhos e veja que não o persegue, pois é cega.
Que ela passe a nos servir e não nós a essa madrasta incoerente
Celebremos a memória e a vida, ao invés de chorarmos para a Morte.
(PINHEIRO, João Pedro C. - 18/02/2014)

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

Bloqueio Criativo

Olho por horas um monitor estático e sem vida
Abafo o som do exterior que me invade e distrai
Fecho os olhos atrás de um momento de inspiração
E me afogo nesse interior de distrações inférteis
Respiro fundo em memórias que já foram transcritas
Repito ideias que já tiveram seu momento de glória
Uso os mesmos preceitos, as mesmas palavras
Os mesmos casos imperfeitos, as mesmas experiências passadas
Surge uma rima a toa que morre no próximo verso
E lá estou eu fazendo outra vez o processo inverso
Bato outras teclas, rabisco outros papeis e fico pela metade
Backspace, borracha e a metade que tinha, sumiu
Olho por horas um monitor estático e sem vida
E começo do zero outra vez
(PINHEIRO, João Pedro C - 26/12/2013~)

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Nas paredes negras do teatro do tempo


Deixei esse trecho de poema envelhecendo a quase um ano. Inacabado, porque faltou poeta.
Hoje peguei-o, acidentalmente, e descobri que o poeta tinha ido embora, porque a arte estava completa.
Gostei de ver como algumas coisas esquecidas no tempo têm sua simplicidade, momentaneamente angustiante, maturada.
 
Escrevi nas paredes do tempo
As lembranças de um dia de sol
Sem bemol e sem punhal, guardei
No teatro da imaginação
Sem visão e sem camarim
Que sem o passo correto, beira a tangente da alma,
E a calma se esvai e o tempo despista a recordação
E o que sobra é negrume, é dor que lamenta a memória,
Doente das boas idéias, dormente.
(Pinheiro, João Pedro C. - 11/12/2012)

terça-feira, 2 de abril de 2013

Olhos Delirantes

Ah, se meus olhos abertos ainda pudessem voltar atrás,
Ao escuro e seguro mar das incertezas inexpressíveis.
Se, ao invés de atirados à luz, tivessem calado, ignorantes.
Afogados em inocência e seguido errantes.

Mas, como dos males o pior, já não importa o que se faz,
A cegueira é oca enquanto as empreitadas são irresistíveis.
E resolveram correr selvagens, por ares delirantes,
Perseguir dementes seus desejos gritantes.

Uma vez tomada conta, luz infame, inebriante, audaz,
Ponderou os finais, rebelou. Tornaram-se irreconhecíveis.
Hoje divagam desvairados e existem doentes, vibrantes,
Deslumbrados por eras e ora amantes.
(PINHEIRO, João P. C. - 02/04/2013; 17:38h)

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Aprisionado

O absurdo de seguir seus passos é zelo ao vício de um condenado.
Aceitação e adoração patológicas inerentes a uma condição impassível.
Embriagado de sedativos torpes, envolto por fadiga, trauma e lamúrias.
Uma jornada incoerente, incauta e incabível ao sofrimento dispensável.
(PINHEIRO, João Pedro C. - 26 de fevereiro de 2013)

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Último Temporal

O clarão me ofusca antes que eu tenha tempo de me preparar.

Rasga o céu, cicatriz brilhante, um corte em meu caminho que cega.

Para onde quer que rume, queima o fogo vigoroso e determinado,

Mas por hora estou preso em sua escuridão pálida e apavorante.

Como que num ensaio, o céu vem ao chão socorrer o que o fogo consome.

Sua precisão desumana espera um segundo de minha esperança e me engole.

Só então as cores voltam devagar e param de vagar perdidas e borradas.

Sem perdão, abraça-me Bóreas e estremece-me a carne e os ossos.

Um segundo depois, o rugido desconcertante, urro ensurdecedor.

A noite me traga novamente para dentro de seu pulmão gelado.

Toco o chão, cama de pedra, solidez solícita para a solidão que parece sólida.

Onde quer que eu tenha caído, o corpo repousa com desdém e descaso,

Mas sem que o auto esteja se quer em seu ápice, em seu apogeu.

Como que num equívoco, torno a mirar o firmamento em busca de luz.

Sua violência doentia me entrega novamente à cegueira e à palidez.

Nem então, misericordiosos, retiram-se ou levam-me de vez ao Caos.

Sem trégua, deliram em fúria e festejam a queda dos mais poderosos de nós.

Uma era depois, o primeiro traço de vida, a primeira ressalva da dor.

(PINHEIRO, João Pedro C. - 18 de Fevereiro de 2013)

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Eu me deixo partir

Nas tortuosas paralelas dessa vida,
Onde caminhamos de mãos dadas,
Nunca tivemos nossas linhas trançadas.

Fizemos laços, pontos, costuramos,
Até corremos para chegar do outro lado,
Mas o limite guardava o mal aventurado.

Sem linha resistente, mas insuficiente,
Os laços mais fortes nos eram servis,
Sublimavam os rasgos, já pouco sutis.

Desculpe, mas chegou nossa hora,
Se apenas em retalhos para nos unir,
Eu te deixo partir, eu me deixo partir.
(PINHEIRO, João P. C. – 24/10/2012 – 15:08h)

quarta-feira, 27 de junho de 2012

Sobre o abandono

Olho as cartas sem mais pressa,
Os copos secaram e me condenaram,
A ausência é presente que me lesa,
A presença é oca, além de pouca.

Se largou seu porto pra trás,
Então fugiu e ninguém te ouviu,
Sou o último barco naufragando no cais,
Aportando lento, já sem intento.

O vazio me envolve em loucura,
Resta o som de ondas fora do tom,
Dissonando em cada fissura,
Passo marcado, compasso quebrado.

Ao horizonte o último raio de luz,
O leme errante, o mastro dançante,
Querem navegar, mas ninguém os conduz,
Sobra adulação em tanta solidão.

O convés então cede à dor,
Antes inabalável, tornou-se instável,
A força esvaiu-se sem se opor,
Minguou sofrida, tornou-se ferida.

Por fim naufrago sem opção,
Sem tentar fugir, sem tentar seguir,
Abandonado ao léu sem perdão
Sem tentar me por ou me opor.

(PINHEIRO, João Pedro C. - 27/06/2012 - 10:40hs São Paulo)

sexta-feira, 2 de março de 2012

Deixe-me a me enganar

Permita-me escrever novamente,
Um sentimento fingido em um poema doente,
Uma perfeita mentira em uma estrela cadente.
Deixe-me a me enganar.

Permita-me fingir uma peça,
Onde a mocinha não cresça e jamais se despeça,
Onde o mocinho não vença, mas não tenha mais pressa,
Deixe-me a me enganar.

Permita-me mentir outro amor,
Um tão belo e tão grande, mas tão incolor,
Um tão perfeito e tão raro, mas tão traidor,
Deixe-me a me enganar.

Permita-me esconder a verdade,
Pois se vamos embora, nós já vamos tarde.
Não veriamos o dobro nem que fosse a metade,
Deixe-me a me enganar.

Permita-me apenas seguir,
Eu já tenho destino, mas não sei pra onde ir,
Se estou no caminho, eu não posso seguir,
Deixe-me a me enganar.
(PINHEIRO, João Pedro C. - 02/03/2012 - São Paulo, SP)

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Quem dá as cartas é você

Escancare sua janela, abra a porta, bata o pé!
Esvazie a prateleira, jogue o lixo onde quiser!
Quebre o vaso, faça caso, perca o prazo, aperte o passo, rasgue o laço, queime um maço!
Pise fora desse mundo e não olhe para trás!
Ponha fogo na fogueira, veja o bem que ela te faz!

Na prisão te enclausuraram ou você que se rendeu?
Pois derrube essas paredes e proclame o que é seu!
Sem temor, sem pavor, sem horror, sem se por ou se opor.
Sinta a chama na sua alma acender-se outra vez!
Finde a sombra que te cobre e um dia mal te fez!

Seus demônios parasitas, sem miséria, alimentados,
Mas não esqueça quem dá as cartas, corta o monte e rola os dados!
Sua postura cabisbaixa não condiz com sua conduta,
Vive forte, vive sempre, vive intensa, mas não luta!
Abra os olhos, veja à frente, pois é só o que há pra ver,
Da loucura à sanidade, ambas matam se escolher.

(PINHEIRO, João Pedro Carbonari, 07/11/2011)

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Olhe para o Céu

Olhe para o céu, meu bem,
Veja como está limpo,
Não há nuvens, não,
Não há mais escuridão,
Veja como está limpo,
Veja sua imensidão.

Olhe para o céu, olhe bem,
Guarde sua grandeza,
Hoje é tempo de luz,
Hoje o vento conduz,
Guarde sua grandeza,
Guarde toda sua luz.

Olhe para o céu, veja bem,
Pois hoje ele está claro,
O sol ilumina distante,
O sol brilha constante,
Pois hoje ele está claro,
Pois é nosso esse instante.

Olhe para o céu, meu bem,
Lembre-se dele aberto,
Pois se a tormenta chegar,
Pois se a luz se apagar,
Lembre-se dele aberto,
Pois longo o sol vai voltar.

Olhe para o céu, olhe bem,
Ele é razão a celebrar,
Finalmente radiante, sim,
Finalmente aberto em mim,
Ele é razão a celebrar,
Finalmente até o fim.

Olhe para o céu, veja bem,
O infinito é pequena parte,
Não há mais limitação,
Não há mais uma prisão,
O infinito é pequena parte,
Não limite à paixão.

(PINHEIRO, João P. C. 09/08/2011)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Conto de Fadas

Se foi flor, eu já não sei,

O aroma te abandonou,

Se foi luz, eu já ceguei,

A sombra se apossou,

Se foi bela, eu já não vi,

O teu brilho se apagou

Se foi passo, eu não segui,

A estrada que me bloqueou,


Se foi fato, eu me esqueci,

A verdade já se borrou,

Se foi vento, eu não senti,

A brisa não me soprou,

Se foi pele, eu já não sei,

A inocência se desmanchou,

Se foi minha, eu chorei,

A ciranda de roda acabou.


Se foi feito, eu já errei,

O descaso me condenou,

Se foi feto, eu já não sei,

Nunca sabe-se o que sobrou,

Se foi livro, eu não li,

A história não me contou,

Se foi vida, eu já morri,

O meu conto de fadas calou.

(PINHEIRO, João P. C., 01/08/2011)


Segue ela cantada no meu MySpace (estou rouco, por isso algumas falhas no vocal)

www.myspace.com/johnontherocks


PS: ela deve estar disponível lá pelas 15:00

sexta-feira, 10 de junho de 2011

Deveria ser você

Quem é dono do seu coração?
Se o passa de mão em mão?
O faz sofrer a toda hora,
O humilha e ignora,
Você não vê quem de longe o olha e o adora?
Quem cabisbaixo já quase abriu mão?

Quem é dono do seu amor?
Se apaixona-se por qualquer flor?
Não toma tempo pra curá-lo,
Vai extorqui-lo, maltratá-lo,
Você não vê que de longe eu olho e me calo?
Que aos poucos vai perdendo o sabor?

Quem é dono da sua vida?
Se sempre a fez tão dividida?
Sempre a deixou na mão de alguém,
Que julgou só te querer bem,
Você não vê que ela é sua e de mais ninguém?
Que você finge saber, mas está perdida?

Quem é dono do seu pensamento?
Se o controlou em nenhum momento?
Segue, cega, em um labirinto,
Manipulam-te até o instinto,
Você não vê que me obrigo a enterrar o que sinto?
Que em seu caminho vejo só sofrimento?

Quem é o seu dono então?
Se só navega na escuridão?
Troca de sonho como troca de laço,
E eu correndo, aturdido, te caço.
Você não vê o tanto que tento e tanto que faço?
Só para poder segurar sua mão?


(João Pedro C. Pinheiro - 10/06/2011)

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Inverno

O frio do inverno gela meu leito,
Já não o floresce como devia,
Inunda-o todo com sua dor fria,
Trazendo apertado pra dentro do peito,
Quem a carrega, amarga, agonia.

Desbota como se dissesse adeus,
A brancura das pétalas amareladas,
Curvam-se todas, deitando caladas,
Fugindo à mira dos olhos meus,
Como sentindo-se jamais amadas.

Não tremo por ter frio, mas dor,
Dilacerante ao ver a ternura murchar,
Delicadamente presa em seu pomar,
Se eu aqui por ela tenho tanto amor,
Mas tão tolo que só a fiz machucar.

Se eu puder proteger-te do inverno,
Mesmo que seja em meu detrimento,
O faço só para ouvir seu o acalento,
Não me importo se enfrento o inferno,
Se você me sorrir por mais um momento.

(João P. C. Pinheiro - 13/04/2011)

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Poema Inacabado

Ah, se tivesse sabido como começar,
Talvez eu não chegasse nesses versos inacabados,
Ou feito estrofes tão pequenas e sem brilho.

Esse é meu primeiro poema sem fim,
Não por falta de inspiração, mas por negligência,
Porque tempo eu tive para sentar e escrever.

Ele não traz métrica ou ritmo,
E se teve rimas eu não me lembro quais ou onde,
A caneta escrevia e eu nem olhava.

Meu aborto involuntário foi desespero,
E com as letras garranchadas eu escrevi por essas linhas,
Sem ler nem uma palavra ou revisar.

Eu o arranquei de mim com desprezo,
Como eu deveria ser banido da pena e do papiro,
Talvez me guardasse à minha própria escuridão.

Meu primeiro poema sem fim,
Eu não tenho nenhuma idéia de como terminar,
Já vem mancando da primeira estrofe.

Poderia apagar e escrever de novo,
Mas minha pena passa mais tempo na gaveta que nas mãos,
E não sei quanta tinta me resta.

O papiro eu já amassei,
Está manchado, com borrões de tinta que podiam ser limpos,
Mas eu não o deixaria novo.

Esse é um poema que eu guardo,
E não quero tocá-lo e estragar a arte que existe nele,
Olhando bem, as rimas nem fazem falta.

Mas não sou eu quem lerá,
Por isso deveria ter mais estrutura e mais rimas,
Difícil é juntar isso à liberdade de escrita.

Desfazer-me desse poema não é uma opção,
Porque eu quero terminá-lo como os contos devem terminar,
Um sorriso, algumas flores e um beijo sob o guizo.

E o medo de estragar algo tão delicado?
De ter que parar no meio de novo e dessa vez apagar tudo,
Até as pequenas partes boas, que nem eram tão pequenas.