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terça-feira, 26 de agosto de 2014

Era um sonho

Andava eu por uma rua de paralelepípedos olhando ao redor como turista em dia de festa no pelô. As casas pareciam ter vida conforme os canhões de luz as punham em movimento. Dançavam uma música que somente os corações aflitos ainda escutavam.

Era tarde da noite e ainda sobravam alguns foliões, os tais corações aflitos, em busca de um último banho de lua. Seus passos tortos, suas bocas secas, seus olhos brilhantes. Como quem buscava abrigo caminhei para longe e sentei-me de canto em uma praça quieta, disposto a tomar um último gole de luar e fugir dali para debaixo de meus sonhos.

 E quem me dera estar sonhando a uma hora dessas. Não distante dali um par de sapatos caminhava em seu “toc toc” hipnótico madrugal. Em minha direção, pensei. Pois, em minha torcida por um sonho, onde mais iriam? Eu não tinha o ímpeto de ir atrás, mas a curiosidade me consumiria.

E como carta marcada, por trás de uma arvore dormente, talvez iluminada demais por uma lua zombeteira, saia a dona dos passos ecoantes. Não a via, sentia-a. Meus olhos pesados se fizeram de rogados e esperaram alguns segundos antes de se abrir, para só então me presentear com um rosto empalidecido pela lua e um sorriso avermelhado.

Imediatamente levantei e antes decido em sua direção como se já houvesse feito isso centenas de vezes, mas nunca a vira antes. A distância parecia uma madrasta infiel e punitiva esticando-se comigo a correr. Tomei-a em meus braços como se fosse dócil, toque seu rosto como se fosse ouro, senti seu cheiro como se fossem flores e beije-lhe a boca como se fosse minha.

Abri os olhos como se fosse tarde e cai para trás ao não vê-la em minha frente, não tê-la em meus braços. Sentado no chão risos giram em meus ouvidos, vejo dois lábios rubros e fecho os olhos.

Era um sonho.

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Último Beijo



Já havia sentido essas dores no peito antes, mas aos vinte e poucos anos elas são diagnosticadas mais como excessos do que falências. Portanto, uma nova viagem não deveria me causar mal. E fui. 

Uma casa esquisita em um condomínio esquisito, mas com um pouco que paz que, em último caso, seria muito útil. Se não, quando voltasse estaria em um cardiologista na primeira hora após retornar.

Aproveitando a noite, não me lembro bem, estou em uma danceteria, sem me importar com quem está comigo ou o que está tocando, vejo ao longe uma garota e me aproximo dela. Ao se virar para falar comigo vejo algo peculiar que só percebo realmente quando ela abre a boca para falar comigo. Duas bocas bem menores se abrem juntamente na parte mais alta de suas bochechas. Aquilo me dá um enjoo e me leva para longe. A “Moça das Boquinhas” não me segue e não a vejo mais.
Porém, dou de cara com uma mulher, roupa vermelha, pele clara, olhos fortes e decididos, o cabelo negro da cor da morte, mesma cor de seu batom. Acordo de madrugada em sua cama, deixo-lhe um beijo e rastejo para fora.

Na volta de casa, estou na parte de traz das casas e os quintais são conjugados, separados por pequenas muretas de madeira e, após passar pela última delas, um rapaz sentado, visivelmente entorpecido, tosse e me olha. Por algum motivo eu estou carregando meu narguilé comigo e ele me oferece uma das peças do seu, que, coincidentemente me faltava.

Na noite seguinte acordo novamente nos braços da Dama de Vermelho com a boca manchada por seu batom preto. As lembranças são nubladas e não as entendo bem.
Novamente a volta pelos fundos, novamente o Rapaz do Narguilé, e dessa vez um convite para ficar e participar de uma festa. Com um pé atrás, recuso. Mas a porta dos fundos se abre e vejo rostos muito familiares, antigos amigos de tempo da faculdade. E outros desconhecidos. Entro.

Estou totalmente limpo e nego veementemente a oferta de tomar mais do que um refrigerante. Eis que o Trapaceiro entra em cena, eu o devia ter descoberto antes, e me serve um refrigerante. Eu tomo e, como prova do meu erro, vejo sedimentos no fundo do copo. Minha visão se turva uma, duas, três vezes até se estabilizar. Meu corpo amolece por um segundo e meu peito dispara para compensar. De repente me sinto bem, mas algo está errado. Meus amigos ressaltam a coincidência de eu conhecer a Dama de Vermelho, por ter estudado (?) com eles.

Um segundo depois me sinto puxado para traz e, quando olho, vejo aquelas duas infames, famintas, erradas, bocas que não deveriam existir. E sua dona. A conversa é tão direta quanto eu posso ser, dando voltas e voltas. A Dama de Vermelho, e um estonteante vestido vermelho para atrás dela e eu peço que espere um segundo. Ela sai e mantem uma distância onde posso vê-la, mas não ela a mim.
Tento me desconversar com a Moça das Boquinhas, mas ela avança em uma velocidade impressionante e me beija. Não, ela toca os meus lábios e eu me desvencilho. Ela chora, xinga e some. Procuro por ela e tento explicar que não poderia fazer isso com a Dama de Vermelho, assim como não o faria com ela, nem com nenhuma outra. Ela então promete não me seguir mais.

De repente, todas as mulheres da casa, que agora era extremamente maior, estão usando vestidos vermelhos. Meu olhar corre imediatamente para onde estava minha Dama de Vermelho, mas só encontro os que a cercavam. E o Trapaceiro, agora gordo como um porco.
Ele me indica o baile de vermelho e, sem pensar, busco pela casa inteira, em todos os andares, por algum sinal daqueles lábios pintados pretos. Mas todos os vestidos estão vermelhos, a decoração da casa está vermelha, não sei onde mais buscar.

Eis que então me encontro no último andar e vejo uma sala retangular no andar de baixo, como que através de um mezanino. Eternamente grande e infinitamente povoada. É difícil entender o movimento lá embaixo, mas são mulheres de branco, dançando uma música que não consigo ouvir. Como último recurso, e desesperado, chamo a primeira pessoa que passa do meu lado. Aquelas boquinhas me enojam, mas ela é a única que também viu a Dama de Vermelho, e eu não vejo mais ninguém da festa, apenas o mar de mulheres de branco dançando.
Como se ela soubesse desde o princípio e estivesse apenas esperando, me aponta o lugar exato onde eu vejo, quase escondido, um pingo vermelho em meio à multidão.

Em um segundo estou de frente para aquele vestido vermelho, mirando, febril, aqueles lábios pintados de preto. Não espero que ela abra os olhos e a beijo. No segundo em que o faço, ela tenta se desvencilhar, mas para ao abrir os olhos e me reconhecer. Então me beija. Seu batom cor de morte borrando minha boca, sinto como se grades me cercassem. Abro os olhos e elas existem. A Dama de Vermelho abre os olhos e eu vejo desespero em seu olhar.
Ela sente meus lábios frios, meu corpo gélido, meu peito parado. E grita.
A música para e meu corpo cai morto.
Continuo olhando aquela cena.
Meu beijo com gosto de defunto.
Meus lábios borrados de preto pela morte.
Aquelas boquinhas famintas olhando de longe sem emoção.
O Trapaceiro, gordo como um porco, rindo.
O gozo da carne traçando a linha de tempo dos vivos e a linha de chegada dos mortos.
Sorrio, por fim.
Foi um beijo inigualável.
A Dama de Vermelho, dos olhos forte e firmes, agora me olha com tristeza e chora.
Abro os olhos e estou nos braços dela novamente, deixo-lhe um beijo e rastejo para fora.
Nunca mais volto aqui.

- Baseado em um conjunto de sonhos que venho tendo a uma semana e se completaram essa noite
(PINHEIRO, João Pedro C. - 21/11/2012)

sexta-feira, 17 de agosto de 2012

Intangível

A distância que nos separa transcende a noção dos limites aos quais fomos impostos. De tão intangível, busquei no inimaginável as mais longas horas de pranto, as mais belas noites de amor, os mais inocentes desejos, os mais doces lábios beijados. De tão intocável, busquei no indescritível um canto de conforto, uma carícia de paz, um ínfimo acalento, uma gota de prazer.

Já te fiz minha uma centena de vezes e outras tantas eu te fiz ausente, mas em quantas delas eu a tive? Já foste forte e soberana, foste rude e indiferente. Assim também foste frágil e insegura, foste débil e delinqüente, mas quantas vezes foste minha?

Ah, quantas vezes não a cobri de lágrimas, quantas vezes não a descartei mal amada, quantas vezes não a esqueci e quantas não a apreciei. E mesmo assim, quantas vezes eu não a amei? Mas o universo existente entre nós, essa barreira intransponível que sempre está lá, a cada vez que a admiro, a cada vez que a amo, a cada vez que a recuso, a cada vez que a odeio, é sempre tão fria, tão sólida, tão cruel.

Poderíamos um dia nos olhar e quem sabe até nos tocar, mas para tanto, ela não poderia existir. E não existindo, então, não seriamos quem e o que somos. Talvez já estivéssemos cansados, velhos, tristes. O doce que me traz a ti é a certeza do inacessível. É quando te vejo pronta e poderia mergulhar em ti, que me lembro que não está lá para mim. Não está ao meu alcance. Eu posso quase tocá-la do lado de cá, mas estás to lado de lá.

E assim, sem saída, eu prefiro continuar sendo o caminho das pedras que te leva à estrada dos tijolos amarelos. Mesmo que deva seguir, então, sozinha. E eu. Sem ti. Guardado em mim o sabor, doce ou amargo, não importa. É teu. Mas meu preço é o amor e este, minha cara, você jamais poderá pagar. Portanto, continue poesia, para que eu continue a te escrever.
(PINHEIRO, João Pedro C.; 17/08/2012 - 15:25h)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

O Som do Silêncio

* Às vezes, quando estou deitado na minha cama, de olhos fechados, pouco antes de dormir, me pego apreciando uma coisa que a maioria das pessoas esqueceu o que é. O silêncio. Nas noite de frio, quando se desliga o ventilador, quando as pessoas se retiram para suas camas, quando o mundo diz boa noite mais cedo, eu fecho meus olhos e escuto o tempo passar, escuto a terra girando, escuto o universo conspirar, escuto a vida como ela foi primariamente.
* Por horas, talvez, o som do silêncio me deliciaria os ouvidos e a mente.
Desligo minha caixa de memórias, desligo minhas músicas tema, desligo todos os ruídos da minha mente e apago a luz dos meus pensamentos. Ouço. Do meu coração trabalhando lentamente ao meu sangue correndo louco pelas veias. Ouço. Da minha respiração ritmada ao movimento do meu corpo sobre a cama.
* Às vezes, quando abraço o silêncio, posso ouvir o som que enfeita o mundo. Ouço a Lua a chorar derramando sua tristeza em forma de luar. Ouço as estrelas cochicharem os segredos do universo. Ouço os sonhos das pessoas que dormem e a voz das que se tornaram energia e se uniram ao infinito.
* Então, quando o silêncio me envolve em sons que a vida ignora, percebo que tudo está lá. Cada pedaço, cada partícula, cada resposta para cada pergunta. E, por um segundo, tudo é iluminado e deixa seu traço em mim.
* Pois assim, quando sou jogado de volta à infindável variedade de sons que nos envolve e nos enlouquece ao longo da vida, vejo que ele ainda está lá, por traz de tudo, dando a base para a sanidade. O som do silêncio é o regente da orquestra da vida. E se você fechar os olhos, não importa a hora, poderá ouvi-lo.

terça-feira, 12 de abril de 2011

Chão de Vidro

Não consigo olhar para baixo. Meus pés tocam o liso piso gelado que sobrepõe a imensidão infinita do que me espera logo abaixo. Seja o que for. Caminho decidido, porém com passadas curtas e delicadas. Nunca me senti como se o chão pudesse me engolir tão facilmente quanto dar o próximo passo. Nada à frente, nada às costas. Não há referência de direção que me mostre para que lado seguir. A cada metro o chão fica mais fino e as primeiras veias vão se formando no caminho sob meus pés quando apoio meu peso em uma nova empreitada. Não sou o suficiente para rompê-lo ainda. Ainda. Mas o som do vidro gritando de agonia, quando mais uma vez o faço rasgar, se torna meu único companheiro e, se paro, logo o desespero ensurdecedor do silêncio ao meu redor me obriga a seguir em frente. O último passo é claramente óbvio. Ao tocar o tapete gélido sob meus pés, ouço a última lamuria. Parado, solto a respiração e a seguro. Silêncio. Quando inspiro, o chão chia novamente. Olho pela primeira vez para baixo. Escuridão. Vazio. O desconhecido me aguarda, bom ou ruim, é para lá que eu vou. Respiro fundo e caio.

sexta-feira, 4 de março de 2011

A vida é única e curta demais, então dê o seu melhor

Ainda acho que essa frase fica mais bonita em inglês “Life is short and unique, so give it your best shot”. Não sei se eu falei isso, se eu li isso em algum lugar ou se foi um mix dos dois. Enfim, o fato é esse não temos tempo a perder, hoje nós estudamos e trabalhamos feito loucos para que? Eu te digo... para SOBREviver e não para viver.
Chega um momento da vida em que precisamos ir além. Não dá para ser mais o adolescente irresponsável, não dá mais para ser o universitário inconseqüente, não dá mais para ser o estagiário preguiçoso. Da mesma maneira vai chegar um momento em que não dará mais para ser só o funcionário competente, não dará para ser apenas um pai liberal, não dará mais para ser um avô ranzinza. Nós somos sempre empurrados para frente. Crescemos e aprendemos a ser extremamente responsáveis, a planeja o futuro, a programar as nossas diversões a fazer... espera, o que eu acabei de escrever? Programar nossas diversões? É, até isso.
Quantas viagens loucas você fez na faculdade? Eu, por exemplo, peguei o carro e uns amigos, atravessei o estado para ir para Americana no InterUNESP e dormi no carro mesmo, em quatro, com frio. Ou muito menos que isso, quantas vezes você se enfiou em uma festa de última hora, que te chamaram meia hora antes de começar e você se divertiu pra cacete?
A liberdade vai minguando com a idade. Será mesmo? Você tem mais responsabilidades, definitivamente, mas você simplesmente esquece que não há só responsabilidades na vida, mas prazeres também.
Desde que eu me entendo por gente coloquei na minha cabeça que fim de semana é sagrado. Eu não mexo um dedo se isso for contra meus votos de me divertir ao máximo, descansar se preciso, ou simplesmente não fazer. Obviamente temos aqueles domingos de prova na segunda, na primeira aula, da matéria mais difícil. Talvez ai esteja uma exceção. Mas hoje, formado, trabalhando, vou chegar cedo no domingo, passar o dia em casa, não beber, não sair só porque segunda eu trabalho? Não mesmo. Vou deixar de pegar um feriado, viajar mesmo se tiver uma reunião as 8 da manhã no pós feriado? Não mesmo. Do mesmo jeito que eu me imponho a realizar minhas responsabilidades, eu imponho a elas que aceitem meus prazeres.
Quem nunca ouviu falar de stress? É a doença da moda, quer uma solução? Larga seu monitor de lado, pega o carro, desce pra praia. Larga seu celular em casa, pega uma troca de roupa e vai acampar. Pega uma segunda feira pós expediente e, ao invés de jantar, toma uma cervejinha ouvindo um som. Faça alguma coisa além da sua responsabilidade. Aproveite o que ainda resta do seu tempo, mesmo se não restar nenhum, eu tenho certeza que sempre há um espacinho onde você consegue encaixar a leitura de um livro de seu gosto, a corrida pelo bairro, o banho demorado de banheira. Mas principalmente, aventure-se. Como você sempre se aventurou e se você nunca se aventurou, está ficando tarde para começar, então simplesmente viva mais.
Como? Comece hoje! Véspera de carnaval! Saia, pegue aquele trânsito horroroso, ligue o som do carro e dirija sem rumo. Veja a onde o vento te leva e fique por lá. “Mas eu to sem dinheiro” então fique em São Paulo mesmo e procure o que fazer, você vai achar. “Mas eu tenho trabalho pra entregar e coisas para fazer” depois, agora é carnaval. Agora é a única data do ano (além do réveillon e natal) que ninguém vai dar bola pra você caso você toque o foda-se. Então TOQUE O FODA-SE.
A vida é essa, não temos outra e, pra quem acredita que temos, não vamos lembrar dessa, assim como não lembramos das outras. Tudo que você fizer aqui, só poderá ser feito aqui. E amanhã, quem sabe? É hoje que eu vou pegar as minhas coisas e tocar o foda-se, porque amanhã ninguém precisa se preocupar. Amanhã não existe ainda, então não faça planos hoje. Viva hoje e amanhã você pensa nisso.
Se você mantive-se preso a um mundo de deveres, quando chegar aos 70 vai ser aquele avô ranzinza. Aventure-se a sentido da vida é dar sentido a ela. Tenha prazer, não interessa como, cada um de nós tem prazer em fazer uma coisa diferente. Então faça o que for, faça pelo seu bel prazer.
Amanhã a gente se preocupa com o resto.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Um banquinho, um violão...

De onde veio a relação do homem com a música? Atualmente não se conhece nenhuma civilização que não tenha contato com ela e acredita-se que sua origem seja pré-histórica. Já ouvi dizer que a música teve papel importante no desenvolvimento da fala, do comportamento social e tantas outras características, mas não estou aqui para questionar tudo isso, estou aqui para falar de nós, músicos. Nós, aqueles que apreciam a música com outros ouvidos, aqueles que a apreciam de outro ponto de vista, do ponto de vista de quem a faz, de quem a toca.

Conheço pessoas que amam a música pelo ritmo, pela letra, pela melodia ou pela emoção que ela causa. Conheço pessoas que passam o dia inteiro com suas próprias trilhas sonoras, preferem bares com música ao vivo, escolhem músicas ambientadas ou apenas as deixam como acompanhamento. Mas ainda não cheguei no ponto. Eu conheço, e eu sou, quem às compões, quem as idealiza, quem simplesmente senta, abrindo mão de praticamente todo o resto, para pegar um violão e deixar o aço comer os dedos noite a dentro. E digo mais, é com um imenso prazer que a gente troca o futebol, o cinema, o shopping, o barzinho, a balada, por um banquinho e um violão.

Pode ser sentado em um barzinho sendo a música de um happy hour, ou do casal apaixonado, pode ser em uma balada sendo a música das dançarinas e dos interessados, pode ser sobre um palco sendo o cover para uma galera que quer ouvir, ou melhor e mais prazeroso de todos, pelo menos para mim, pode ser sobre o mesmo palco tocando sua própria música, para seus próprios amigos que cantam junto. Aquela falta de ar e o frio na barriga antes de subir, o medo de quebrar uma corda ou de esquecer uma música, de errar um solo. Sensação prazer, de plenitude. A alma sendo alimentada, o corpo sentindo as vibrações. A mente indo para outra dimensão, outro plano. E quando você percebe, você não é mais quem as pessoas conhecem, você está mais completo, você está maior. Seu corpo sente prazer e sua mente clareia. Aquilo te excita. Nada é mais importante para você ali, o mundo pode acabar que você vai dar tchau para ele com um sorriso no rosto.

Se a música está presente na existência do homem desde os primórdios, para alguns de nós ela veio de forma diferente, forma especial, muito antes de aprendermos sequer a falar ou andar. É como se nós respirássemos música, transpirássemos música. Às vezes ela é tudo que nós precisamos para existir.

Música não é o que eu faço, é o que eu sou.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Sobre o excesso de espaço e as escolhas

Você já teve tanto espaço que se sentia preso?

Na verdade estar preso é muito mais do que parece e pode ser bem diferente do que imaginamos. Vou exemplificar. Imaginem que você é um pássaro, uso o pássaro justamente pela interpretação que temos de que voar é ser livre. Você é um pássaro e você voa, mas... sendo um pássaro, você poderia escolher não voar? Então você voa e pode ir para todos os cantos desse imenso planeta, mas você, como um pássaro, vai?

De repente me vi com o infinito aos meus pés, meu maior empecilho virou passado, meu maior sonho se tornando realidade, minhas responsabilidades agora são pontuais e certeiras, meu laser é muito mais proveitoso e minha preguiça só aumenta. Tenho milhares de oportunidades, milhares de opções, milhares de coisas pra fazer, milhares de atitudes a tomar e, de quebra, o mundo virou um grande playground de pura diversão.

Porém, com tudo isso para fazer e com tudo isso pra experimentar, eu não fazia idéia de onde eu deveria colocar os pés primeiro. É sempre bom limpar a casa antes de dar esses passos. É ai que eu fui pego.

Só que foi logo agora, época de grandes decisões, o momento onde tudo finalmente só depende de mim, onde o horizonte está muito perto, onde o céu é o limite e eu adoro passar dos limites, que eu percebi que todo esse espaço é ilusão e o pássaro não sai da sua árvore para explorar o mundo por uma centena de razões.

Às vezes nós somos oferecidos a um infinito de possibilidades e não sabemos qual delas escolher. Talvez se tivéssemos só uma era mais fácil, mas então reclamaríamos da escassez. O fato é que toda escolha que eu tomo, me priva de alguma coisa. E cheguei ao ponto de não perceber o que essas escolhas estavam me privando.

A verdade é que escolher é justamente isso, é a apreciação de algo em detrimento de outro. Isso, obviamente, da maneira mais crua. Mas também temos escolhas que fazemos por falta de escolha e temos escolhas que fazemos porque não sabemos o que escolher. Outro fato é que são muitas escolhas e para cada escolha errada surgem novas escolhas erradas e tentar escolher o certo acaba parecendo pretensioso, afinal, se você já fez errado, por que está tentando mudar? Só para parecer que nunca fez a escolha errada?

Com tanta coisa pra fazer esqueço-me de fazer o mínimo, ou só faço o mínimo e o mínimo nunca é suficiente. Não seria para mim, não é para você.

Mas não significa que algo não tenha importância, que não tenha prioridade, apenas que estou tão solto e com tanta coisa acontecendo que fico preso às minhas asas.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Me dê um bom motivo pra olhar pro céu

Gosto de terra molhada e sangue. A dor atravessa meu corpo como gotas quentes de chumbo, amenizada pela chuva gelada que me banha em solidão. Abandonado, caído. Sei que não voltarei para casa amanhã, não dormirei com minha esposa, não trarei meu filho ao colo. Minha visão é turva e minha memória, borrada. Ouço passos bem perto de mim, mas não ouso me mexer, não ouso pedir ajuda. Eles correm para longe e eu fico ali, deitado. Mal posso abrir os olhos, mal posso olhar o céu. A chuva é grossa e não há nada lá me esperando, ninguém que possa me ajudar, ninguém que queira.
O calor da lareira, o sabor do café, o conforto dos braços, o prazer da risada. Os olhos escuros, os dois pares de olhos escuros. Ler um jornal, me irritar com as notícias. Ajudar no almoço, reclamar da cebola, cortar o dedo. Brincar de carrinho, soldadinho. O soldadinho agora sou eu e as armas não são de plástico.
Já está ficando difícil respirar e os meus dedos estão adormecendo. Entre as gotas de chuva não sei distinguir as lágrimas. Minhas mãos tremem. Quanto vale tudo isso? Vale a paz. Minha mulher nunca mais estará em paz, meu filho nunca mais estará em paz. Vale a justiça. Minha mulher está sendo injustiçada, meu filho está sendo injustiçado. Vale o poder. Minha mulher não tem emprego e meu filho tem 3 anos. Que paz? Que justiça? Que poder? Paz na mortes dos seus irmãos. Justiça na destruição da sua família e poder nas mão de quem não arrisca nada. Nada próprio.
Eu ainda ouço o padre dizer: “Reze, filho, reze muito que sua alma é pura, é jovem e Deus te trará de volta”. Queria olhar nos olhos dele agora. Rezei como tanta paixão. Cada raio que corta o céu me deixa um pouco mais cego e cada trovão, um pouco mais surdo. Começo a sentir sono. Começo a sentir medo. Medo como nunca senti. Quanto eu fechar os olhos estará tudo acabado.
Logo eu que sempre fui justo, logo eu que sempre fui correto. Sempre fui um bom marido e um bom pai. Mesmo que apenas por três anos. Três anos que ele não se lembrará. Meu filho não se lembrará de mim. Se eu conseguisse rir talvez caísse na gargalhada agora. Não sinto minhas pernas, na verdade eu não posso vê-las. Meu desespero, meu medo, tudo se tornando loucura. Pai, me de um bom motivo para olhar para o céu, porque tudo o que eu fiz por ti apenas me jogou de joelhos ao chão.
É isso, estou cansado, estou com frio e estou com sono. Acho que é hora de tirar meu último cochilo.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Fingidores

Hoje não me sinto escrevendo.
E isso não vem de hoje, meu blog anda parado (Paradoxo?).
Será negligência? Será falta de tempo? Ou apenas perdi o pique?
Hoje não me sinto escrevendo.

Portanto vou apenas fazer uma citação:

"O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente,
Que chega a fingir que é dor,
A dor que deveras sente."

Acho que uma das frases mais conhecidas de Fernando Pessoa, mas ela continua (talvez uma das partes que as pessoas menos conheçam de Fernando Pessoa)

"E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda,
Gira, a entender a razão,
Esse comboio de roda,
Que se chama coração"

Fato claro na vida de um poeta.
Fato até explícito quando se para pra pensar, não?

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Iansanidade

Decidi escrever uma música sobre a Iansanidade. Sim, isso mesmo que você leu “iAnsanidade”. Obviamente que a música será em inglês (Iansanity), visto que será para a banda de Classic Rock, mas quero fazer algo descente, então resolvi escrever um texto sobre a Iansanidade para organizar minhas idéias de o que e como fazer na/a música.

Talvez o texto fique totalmente sem sentido, mas lembrem do nome, ai vai fazer todo sentido.

A loucura sobre um salto alto roxo, cabelos ao vento curtos como os meus. Bem, não tão curtos. A face pálida como um botão de rosa, obviamente branca, mas duas safiras em quedas d’água livres, sobre os espinhos do corpo e a tristeza das sombras, que não são seres, mas bem que queriam. A mente leve, o corpo solto, a vida vagando em pétalas de aço, licores de grãos e troca de essências. Delicadamente coberta por cores, tecidos e curvas. Curvas simples e intoleravelmente enlouquecedoras. Que não chegam a se perder estrada afora, mas que levam seu mundo adentro. Enquanto a fumaça levanta e cobre os espelhos que refletem o silêncio do grito e a ensurdecedora boca calada. Suspirando. Ofegando. Pedindo mais um gole gelado feito de ouro. Amargo como se a alma pedisse abrigo e a vontade embriagasse o toque do fogo que derrete as mentiras da fala, entregando livremente o pudor e a ingenuidade ao mar de sofreguidão. Ávida pelos deleites da alma, do corpo e da mente. Jogando-se de frente a um mundo cego, indiferente e estéril. Plantando dor e colhendo insatisfação, vivendo a falsidade e iludindo o peito pulsante. Sente a vaga sanidade deixando a razão de lado, aceitando mais um momento em que a luz é negrume no lampejo da incapacidade. A loucura sobre um salto alto roxo, suja de tinta e banhada em prazer. A brasa acendendo e apagando com o descompasso do fôlego fugindo aos pulmões e o pouco de sanidade que restou em mim. Perdendo o foco, fugindo das linhas tortas dessa pauta. O que é essa iansanidade que tomou conta de mim? De quadros e poemas transparentes e ilegíveis, de músicas e sons sem melodia, de razões irracionais e de ânsias imperdoavelmente inalcançáveis. Respirando fundo, almejando indelicadezas e incompreensível incapacidade de reivindicar a verdadeira imagem gravada no alto ponto da loucura. Iansanidade. A loucura andando ansiosa por um novo mundo pintado com giz pastel e jogado ao vento por um suspiro ininteligível de um iansano apaixonado.

Kralho. Eu acho melhor eu procurar um psicólogo ou um psiquiatra. Quem sabe um manicômio O.o!!!!
Quero ver eu fazer uma música falando isso.

sábado, 27 de junho de 2009

Se não, não vale a pena.

São poucas as palavras que, aos prantos, gritam a tristeza de uma alma incapaz de amar. Aos poucos os gritos minguam e transforma-se em lamúria. São pequenas as oportunidades de entregar-se plenamente e gritar o prazer do mundo, sem medo da queda. São secas as lágrimas que correm pelo rosto dos desafortunados e dos delirantes. São amargos os dias daqueles que não sabem mais onde procurar o amor.
Ainda que nos valesse a fortuna eterna, ainda que nos servicem o luxo soberbo ou ainda que tivessemos toda beleza do mundo, nada insuflaria nosso prazer pelo amor, nosso desejo de amar. Mas, para nós, é cada dia mais dificil encontrar esse amor. Nós que vejmos a capacidade de amar esvair-se, nós que sofremos cada vez mais por um amor razo, nós que choramos uma lágrima para cada novo amor seco. Somos nós que te escrevemos em lidos versos, somos nós que te idealizamos como a personificação da perfeição, somos nós que te pintamos em ouro e enchemos de rosa.
Somos nós que fechamos os olhos quando você nos deixa e escrevemos mesmo amargurados o quanto você é divina.

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Estou em busca de uma mulher pela qual valha a pena se apaixonar.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Amores Eternos Vs. Prazo de Validade (e a maionese)

Você acredita em amor eterno? Ou você acha que tudo tem um prazo de validade para acabar, inclusive o amor?

Fui Eternamente Apaixonado, meu amor já foi Eterno, minha vida foi inteira contada e escrita, para no fim não durar como o planejado.
Fui Eternamente Descrete, meu amor já esteve enterrado, minha vida não tinha mais rumo, destino, ou traço certo que se pudesse seguir, para no fim me apaixonar de novo.

Hj sou franco, amores vem como a Maionese (pq eu gosto d maionese ué...). Dentro d um potinho com prazo de validade. Cheio de prazeres, delícias e lambanças. Farto, completo e gostoso pra comer com pão. Mas uma hora o pote acaba e vc tem q comprar outro.

Viva a liberdade do cérebro, que sabe a hora de trocar a marca da Maionese (pq até Hellmasn's enjoa) e deixa o coração resmungar, pq a hora q ele experimentar a Soya, uma Caseira ou uma Maionese de Tóquio Importada... Ah rapaz, ele entende rapidinho o recado.

terça-feira, 2 de junho de 2009

Como um Cão Largado

Sinto-me um tolo. Um fraco.
Não sei ao certo o que faço.
Tenho aceitado restos de ossos já roidos.
E isso tem me dado um pouco de prazer.
O pouco prazer que sinto.
Sou como um cão largado.
Vivendo da caridade dos desesperos.
Pegando o que fareja o fucinho.
Mas farejando miudos.
Restos de prazer. Poças de lama.
Isso tem me suprido.
Quando o desespero cessa, eu sofro.
Barriga vazia.
Espero a caridade d'um outro desesperado.
E espero.
Como espero.
Não quero correr por carne.
Os ossos são tão mais fazeis de se conseguir.
E ficar sem eles é tão difícil.
Prazer não se acha fácil.
E eles dão o pouco de prazer que sinto.
Momentâneo, inconcistente, insuficiente, sem sentido.
Prazer.
Como um cão largado.
Com um ossos velho e roido.
Com o fucinho enfiado na lama.
Com os olhos vagando perdidos.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Distância Ingrata

Hj estou me sentindo meio abalado com a influência q a falta de laços, ou a distância impressa entre eles nos faz perder momentos tão importantes, ou críticos, da vida d pessoas q gostamos.

Vejo alguns amigos irem embora e não voltarem mais. Coisas q c não dependesse d mim estariam acabadas, as vezes acho q deveria largar mão e deixar o vento levar. Outras coisas q nem com todo o meu esforço são concretizadas d forma real, continuam sendo apenas lembranças boas, mas sem futuro.

Uma amiga em especial c casou, minha "mãe" d coração, eu fiquei sabendo por terceiros e já faz mto tempo q não nos falamos, pq EU não liguei mais, mas ela nunca me ligou.

Outro amigo virou crente e abandonou os amigos, perdeu meu aniversário duas vezes e nunca mais deu sinal d vida.

Uma outra está doente, problema no Rim... uma doença q, segundo o blog dela, diz ser razoavelmente grave. Eu queria nesse momento poder dar uma mão pra ela e dizer q td ficará bem. Mas ela tbm nunca me procurou.

Insisto q eu devo ser algum tipo d criatura q veio com defeito d fábrica. Me deram excesso de zelo pelos q são, a mim, importantes.

Prezo mto pelos meus, mas sinto q não sou tão valioso para eles. E não precisa ir mto longe, a vida transformou tanto nossas vidas q até melhores amigos estão distantes d mais para se preocuparem.

Triste, mas real.

Sinto falta d certas presenças, certas conversas, certas intimidades, certas brincadeiras e principalmente q ver alguem me procurar e dizer "Como vc está?" simplesmente pq sentiu minha falta e queria saber c eu estou bem. Sem assunto, sem conversa, mas só para ver c o velho amigo ainda está aki. Pq eu sempre estarei.

Sinto por ser sempre o único a ir atras, sinto por ser sempre o interessado naqueles q eu amo. Não q eu não seja amado, pois acredito mto q seja, mas pq a único link entre nossas amizades tem sido o meu interesse em mante-las vivas.

É dificil saber q, se hj, eu parar d procurar por v6, nós, talvez, nunca mais nos falaremos.

Sem diretas, mas com todas elas, pq v6 todos sabem disso.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Pessoas, Animais, Astronautas e ETs

Esses dias uma amiga me perguntou c eu acreditava em Deus.

Pergunta difícil de responder.

Antes q venham me acusar d anti-cristo, satanista outentar me converter, vou direto ao ponto: "Eu não acredito em Deus, meu lado espiritual está totalmente fora de qualquer padrão religioso".

Agora vão dizer "mas você fala 'graças a deus', 'nossa senhora!/meu deus!', 'sabe lá deus'". Sim, falo msm, fui criado ouvindo essas expressões, portanto as falo apenas como expressões comuns como "ainda bem", "pqp/kralho" ou "sei lá/nem ideia".

Pronto, esclarecidos? Vamos ao texto.

Essa minha amiga recebeu uma resposta, obviamente:
"Eu acredito nas pessoas, nos animais, nos astronautas e nos ETs"

Gostei dela não ter me julgado por isso.

Acredito q haja salvação para o mundo ainda (antes d 2012), acho q o ser humano tem mto o q crescer ainda e evoluir como espécie. Nós estamos aki a tão pouco tempo q é bem perigoso continuar vivendo dessa maneira, porém temos q torcer pelo melhor. O ser Humano pode melhorar e qnd a agua bate na bunda a gente aprente a nadar. Só espero q não seja tarde d mais. Eu acredito sim.
Acredito nos animais. Sim, eles estão ai para compartilhar o mundo conosco. E não nos servir. Existiu uma convivência justa entre homens e animais um dia. E pode haver novamente, mais segura, obviamente.
Astronautas são fantásticos, os nossos desbravadores do universo, é uma pena q seja td tão sigiloso q poucas coisas realmente importantes cheguem ao nosso conhecimento. Eles talvez sejam os responsaveis por uma futura salvação. Já pensaram em colonização planetária? Viver em outro planeta? Ia ser fantástico. Vai ser. Não pra gente, pros nossos netos (se passarmos de 2012).
E os ETs, claro, não podiamos esquecer dles. Talvez nossos Deuses reais, não? Talvez a razão d todo o nosso conhecimento e o motivo da nossa sobrevivência na Era dos nossos antepassadados primatas. Num faz mto sentido uma raça tão fraca como a nossa ter sobrevivido no meio do mato. Sei lá.

Enfim. Pontuei td isso, pq é uma discussão interessante. Adoro religião, acho mtas delas lindas, o Budismo, Espiritismo e tal. Gostaria d conhecer a fundo todas, mas tenho coisas mais importantes pra fazer.

Alias, espíritos. Eu acredito em alma/espírito/fantasma. Curioso, né? Mas fantasmas talvez como cruzamento d dimensões onde é possivel ver as duas em um mesmo espaço, por um curto tempo. Alma e espírito, eu julgo q não haja um fim seco depois da morte. Talvez nos tenhamos almas migratórias q vão d mundo em mundo vivendo para sempre.

Agora da onde veio a primeira alma? Sei la. "Deus" também não tem origem, não é mesmo? O Universo também não (ainda e talvez pra sempre). Nenhuma religião é perfeita, e nem a minha própria. ^^

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Prisioneiro do Sonho

Quem sonha?
Todos nós sonhamos. Não durante a noite, durante nossa existência temos desejos, vontades, coisas q queremos realizar. São desses sonhos q vou falar hj.

Encontrar um amor verdadeiro, casar, ter filhos, uma família feliz, um bom trabalho e tempo livre para viver. Esse talvez seja o sonho mais comum da maioria das pessoas. Lutamos tanto para acreditar q ele é possivel, alcançável.

Na minha idade existe mta gente q não ta nem ai, mas tem akeles q já estão pensando nos netos. Imaginam o namorado(a) no altar, com cerimônia e o kcete.
É curioso ver como alguns casos c desenvolve d tal maneira q a pessoa c torna prisioneira desse sonho, a ponto d achar q está td acabado, q a vida perdeu o valor e q não existe mais salvação, simplesmente por acabar mais um namorinho.
Então me pergunto: Nós sonhamos para viver ou vivemos para sonhar?

As vezes esquecemos q o sonho, esse em específico, é apenas uma sequencia de fatos. A pessoa q vc encaixou no seu sonho é só um coadjuvante necessário para viver essa trama. Então, qnd ela vai embora, o sonho acaba. Não acaba, continua la. Mas algumas pessoas parecem não ver isso. Vc não sonha com a pessoa, a pessoa q foi alocada em um papel do seu sonho.

Ou qq coisa assim.

É triste perder um amor. É triste sonhar sem ter um personagem principal. Pera, Nós somos o personagem principal. Amores vem e vão. Talvez durem mais, talvez durem menos.

Não se prenda no sonho. A graça d sonhar é poder mudar o sonho um milhão d vezes até conseguir algo parecido com ele. Pq o dia q ele c realizar, vc não terá mais com q sonhar. Não sonho verdadeiramente grande como o "objetivo final". A graça é percorrer o sonho. E não c enjaular nele e torcer para q o mundo t d o q deseja. Não será assim.

Eu juro q tentei traspor essa ideia da maneira mais curta possivel, por isso talvez esteja incoerente ou ininteligivel (acho q não tá), ams minha mente ia passar dias ditando coisas para eu escrever, e eu não tenho esse tempo todo.

Sonhe bastante, mas viva sempre. É mto mais gostoso o aki e agora, do q o amanhã sem certeza. Viva. Apenas viva. O sonho chega e vc nem percebe ;)

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Mude, mas mantenha a essencia.

O mundo da voltas, voltas e mais voltas.
E tem certas coisas que nunca mudam.
Tem aquelas que fingem mudar, mas continuam escondidas por traz de tudo.
É inacreditavel quando te dizem que certa coisa não vai mudar nunca.
É fácil olhar para o futuro como algo novo.
Dificil mesmo é você pensar que nada vai mudar.
Porque vai.
Vai?
Deveria.
Deveria?
É o que acontece.
Não, não é.
Não com TUDO como sempre dizem.
Tudo muda, não.
Lógico, estou me referindo ao contexto e não aos detalhes.
Esses mudam mesmo.
Porém a essencia.
A chama.
A base de tudo.
Essa não muda sempre.
E depois de muitos anos você descobre que ainda está intacto.
Que o que mudou foram as outras coisas.
O que mudou foram os outros interesses.
E não a base.
O que mudou foram os objetivos, visões, curiosidades, formas de pensar.
Não o sentimento.
Não o prazer.
Não o sabor.
Talvez a maneira como se percebe tais fatores.
Mas não eles em si.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Músico é td doido!

Têm sido dias novos pra mim. Experiências únicas q eu nunca havia provado.
To me sentindo maior, mais leve, mais poderoso por assim dizer.
É tudo tão místico q eu nem sei por onde começar.
Talvez pela música.
Estou passando por um momento de descobrimento (e a rima não foi proposital).
Tenho tido um enorme prazer em escrever novas coisas.
Também, o q ta sobrando agora é inspiração.
A fossa é inspiradora.
Ou talvez seja o excesso de tempo livre.
O importante é q agora eu to descobrindo q tem algusn Joões diferentes aqui dentro.
O q não é novidade, visto q meu blog c chama Vinte Lados.
No mínimo vinte Joões, né?
E cada um resolveu me falar pra tocar uma coisa diferente, cada dia um q compõe e cada hora é um q da palpite na música do outro.
Meio doido, né?
To com uma banda meio louca, uns kras gente boa, mas to compondo, também, pra uma banda q num existe, pra um projeto q ta parado e pra ideia d amigo q quer tocar comigo.
Kra, que viagem.
Músico é td doido.
Qro logo dolocar alguma música minha aki no blog pra todos bixarem e entenderem o pq dessa loucura td.
V6 vão entender.
Eu tenho um amigo q toca bateria, ele é religioso, vai à igreja, me da a bençaõ sempre q eu vo na casa dele, estudou demonologia e toca Black Death Trash Metal do Demônio.
Tem um q largou a banda, q tava indo mto bem, pra tocar na igreja.
E tem akele q tocou batera, largou, tocou guitarra, largou, tocou baixo, largou, tocou piano, largou, tocou flauta largou e agora ta querento tocar sax.
Ah, tem uma q tocava baixo e cantava... colocaram um video dela tocando violão e cantando Vira (do Seco e Molhados, eu acho) no youtube... e td mundo gostou do: "cê ta filmando essa merda?"
Engraçadíssima.
Tem um q já cantou até música da Xuxa e tinha banda d Metal.
Tem a menina q parece um demonio (pq canta igual a ele).
E tem meu irmão q ouve metal e axé.
No fim eu até pareço normal, com os outros 19 Joões dando palpite nas MINHAS composições.
Eu to conversando sozinho?
Ahhhh.. chega...
Músico é td doido msm.

E akele surdo q tocava piano e fazia sinfonias?